Universidade
Estadual do Centro-Oeste/Setor de Ciências Humanas Letras e Artes -
Departamento de História.
Grande
área: Ciências Humanas; Área: História; Subárea: História do Brasil.
Palavras-chave:
História; Pedagogia; Secretariado Executivo; UNICENTRO;
Resumo:
Esta
pesquisa tem como objetivo analisar as relações de gênero em cursos de
graduação, no caso, a Pedagogia e o Secretariado Executivo da Universidade
Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO). De acordo com teorias do estudo de gênero
entende-se “Feminino” como um termo embasado por uma cultura que separa tarefa
das mulheres das tarefas dos homens, ou seja, um termo sobre um aspecto
cultural. A pesquisa utilizou a coleta de dados sobre a entrada de homens nos
cursos de graduação para analise da inserção e da participação masculina. O
objetivo da pesquisa é problematizar e historicizar as relações de gênero nos
cursos procurando observar quais as motivações e desafios enfrentados pelos
graduandos. O recorte temporal da pesquisa reside nos anos de 2001 a 2012,
levando em conta que no último vestibular realizado para esses dois cursos, dos
117 inscritos, apenas sete eram homens e nenhum foi aprovado em primeira
chamada. Podemos concluir que, embora a discussão de relações de gênero e
ensino superior já tenha percorrido longo caminho, ainda precisamos de uma
grande mudança social em relação às possibilidades de acesso a esses cursos.
Introdução
Esta
pesquisa buscou analisar as relações de gênero constituídas nos cursos de
Pedagogia e Secretariado Executivo na Universidade Estadual do Centro-Oeste
(UNICENTRO), foram analisados dados de dois cursos, sendo eles secretariado
executivo e pedagogia, cursos tidos como majoritariamente ‘femininos’, devido à
própria constituição do campo de pedagogia. Para a autora Kellen Coimbra,
"No imaginário popular, as mulheres têm vocação para o magistério, por sua
amorosidade, dedicação e inclinação maternal, isto está associado também a uma visão
mistificada do processo educativo." (COIMBRA, 2010. p.4), ou seja, nota-se
que a divisão te tarefas por gênero ou sexo são construções sociais que limitam
os lugares dos homens e de mulheres.
A
metodologia utilizada foi a analise e coleta de dados acerca da inserção e a
aprovação de homens nos vestibulares dos cursos de secretariado e pedagogia e
também por meio da aplicação de entrevistas estruturadas e aplicadas á
acadêmicos dos cursos citados, os cursos são da universidade estadual do centro
oeste (UNICENTRO) na cidade de Guarapuava, Paraná.
Levando
em conta a historicidade da construção de ideia uma atribuição feminina a
educação, CUNHA acredita que "Historicamente a educação das crianças
pequenas vem sendo, em grande parte das culturas, uma atribuição do universo
feminino, portanto, ocupação exercida por quem é considerado inferior frágil
(...)" (CUNHA, 2012. p.6)
Ao
pensar a universidade como um campo de lutas científicas e expansão do
conhecimento, e levando em conta que as relações sociais ali construídas são
reflexos da sociedade atual, tais reflexos sociais podem ser notados no campo
cientifico e devem ser analisados levando em conta que existem lutas de poderes
entre institutos, faculdades, departamentos, áreas de conhecimento, mas,
sobretudo entre homens e mulheres em busca de espaço no campo acadêmico.
Dessa
forma, leituras advindas do campo de estudos de gênero permitem á
desnaturalização da ideia de que determinados campos de conhecimento
“pertencem” mais a mulheres do que aos homens (ou vice-versa), sendo assim,
tais leituras são fundamentais para perceber as lutas internas em torno da
constituição histórica de determinados campos de saber e de profissões da
sociedade.
Materiais e métodos
A
Universidade Estadual do Centro-Oeste é uma das universidades mais recentes do
Estado, emergida a partir da junção da Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras de Guarapuava e a Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Irati, em
1997 teve seu reconhecimento constitucional. As fontes utilizadas para a pesquisa
são constituídas por entrevistas semiestruturadas e aplicadas á graduandos e
graduados dos cursos de Pedagogia e Secretariado.
A
pesquisa também conta com questionários estruturados para uma abordagem do
assunto. O Recorte temporal da pesquisa é recente e abrange os anos
entre 2011 á 2012, dentro desse contexto foram analisados dados sobre número de
homens que fizeram o vestibular, quantos passaram e por fim opinião desses
graduandos.
Para
pensarmos a questão da entrada dos homens nos cursos ‘femininos’, devemos
discutir a questão do processo de ‘feminização’ dos cursos de graduação,
inclusive nos cursos analisados, sendo eles o magistério e o secretariado. Para
Kellen Coimbra, “no imaginário popular, as mulheres têm vocação para o
magistério, por sua amorosidade, dedicação e inclinação maternal, isto está
associado também a uma visão mistificada do processo educativo." (COIMBRA,
2010. p.4).
Nessa questão do imaginário sobre o papel da
mulher se constitui a ideia do homem em oposição, com isso, podemos perceber
que atualmente a educação regional e o meio escolar estão desempenhando
formidável papel na naturalização de conceitos sociais onde meninas tem mais
propensão às artes e a literatura e os meninos ao calculo.
Para
Coimbra, o estudo sobre a construção dos papeis de gênero na educação nos ajuda
a entende como se formam os ‘guetos sexuais’, e quais as implicações sociais e
culturais nessa divisão. (COIMBRA, 2010) Ainda é recente e lento o aumento de
mulheres nas ciências exatas assim como homens da pedagogia e secretariado,
tudo devido essas divisões culturais de
papeis que a sociedade ainda reprime e impõe padrões.
Resultados e Discussão
Os
cursos analisados foram Pedagogia e Secretariado Executivo da Universidade
Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO), no período de 2001 a 2012, levando em
conta os inscritos do vestibular de 2012 para ambos os cursos, podemos perceber
que dos 117 inscritos, apenas sete eram homens e nenhum foi aprovado em
primeira chamada (UNICENTRO, 2012).
Entende-se
por resultados a informação pertinente aos dados coletados e analisados,
abrangendo estudos de caso. Em entrevistas com questionários semi-estruturadas
foram mapeados dois perfis mais comuns entres os acadêmicos homens dos cursos
de pedagogia e secretariado executivo, de um lado percebemos que a maioria dos
entrevistados afirma que escolheram a graduação por gostarem de trabalhar com
crianças, outros entrevistados homens como o caso do entrevistado M, colocam a
questão da resistência a profissionais homens devido a uma concepção construída
de que homens são todos pedófilos, e não podem ficar perto de crianças.
Por
outro lado, no curso de secretariado executivo, o fato de ser homem parece
influenciar bastante na hora da procura de emprego, principalmente nas empresas
particulares onde o fato de contratar um homem para o cargo nem é cogitado,
como coloca o entrevistado L, “Além disso, são muito poucos os cargos
disponíveis que ganhe um salario razoável. Se pudesse voltar não faria esta
faculdade”, mostrando a sua insatisfação perante o mercado de trabalho atual.
Conclusões
Podemos concluir que, muitos fatores
influenciam na decisão de fazer uma graduação, no caso dessa pesquisa, a
escolha masculina por cursos ‘femininos’ pode ser entendida por várias
situações, desde a questão financeira, até o apoio da família. Assim, embora a
discussão acerca das relações de gênero e Ensino superior já tenha percorrido
longo caminho para uma possibilidade de acesso, ainda há conceitos e percepções
estereotipadas sobre os campos da Pedagogia e Secretariado Executivo. Sendo
assim, ainda temos que percorrer longo caminho de discussões para refletir em e
mudanças na concepção de ensino e educação no que concernem as relações de
gênero.
Agradecimentos
Agradeço
a UNICENTRO por ter me concedido a bolsa; a todos os integrantes do Laboratório
de História Ambiental e Gênero pelo apoio e pelas acaloradas discussões
teórico-metodológicas. Agradeço também a minha orientadora Profa. Dra. Luciana
Klanovicz.
Referências
COIMBRA,
Kellen Regina Moares; GONÇALVES, Maria de F. da C. RODRIGUES, Fernanda L.
Reflexões sobre a feminização do magistério in
Anais do Evento II Seminário Nacional Sociologia e Política, vol. 12, n.1.
UFPR, 2010.
GUEDES,
Moema de Castro. A presença feminina nos cursos universitários e nas
pós-graduações: desconstruindo a idéia da universidade como espaço masculino. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio
de Janeiro, v.15, supl., p.117-132, jun. 2008.