As informações sobre a vida e obra de Tucídides procede de sua própria obra, induz-se que nasceu entre 460 e 455 A .C., em Atenas. Era descendente de uma família nobre da Trácia e pertenceu a aristocracia de Atenas.
Discípulo de Anaxágoras, Tucídides foi amigo de Górgias e Protágoras, de Antífon, de Sófocles e de Eurípides.
Em 424 foi eleito um dos Estrategos, porém não obteve sucesso e por isso foi condenado ao exilio. Retornou para Atenas em 404 com a anistia, foi morto vitima de assaltantes de estradas.
O livro I contém uma introdução onde Tucídides define seus objetivos, apresenta os antecedentes do conflito, narra às ocorrências que antecederam a declaração de guerra e o discurso de Péricles incitando a luta.
Tucídides em sua obra relata a história da Guerra do Peloponeso, embora não tenha usado o termo história, a história tinha o objetivo de relatar, segundo o autor, a maior guerra de todos os tempos, fazendo uma ligação entre o passado e o futuro, deixando a obra para as futuras gerações como um exemplo moral.
“Com efeito, tratava-se do maior movimento jamais realizado pelos helenos, estendendo-se também a alguns povos bárbaros - a bem dizer à maior parte da humanidade.” (TUCIDIDES, I, I).
Podemos analisar que o autor quanto aos fatos de guerra, procura não acredita nos relatos de terceiros sem antes fazer uma investigação minuciosa sobre os detalhes.
“Quanto aos fatos da guerra, considerei meu dever relatá-los, não como apurados através de algum informante casual nem como me parecia provável, mas somente após investigar cada detalhe com o maior rigor possível, seja no caso de eventos dos quais eu mesmo participei, seja naqueles a respeito dos quais obtive informações de terceiros.”
Tucídides, embora tenha colocado que buscaria relatar a verdade na história, deixa em alguns trechos espaços para a sua opinião, expondo essa ser a mais verídica, porém, na cita quais métodos usou para essa conclusão.
“A explicação mais verídica, apesar de menos freqüentemente alegada, é, em minha opinião, que os atenienses estavam tornando-se muito poderosos, e isto inquietava os lacedemônios, compelindo-os a recorrerem à guerra.” (TUCIDIDES, I, 23).
Ao citar a origem da cidade de Epidamnos, podemos analisar a citação de terceiros, sem demonstrar o modo de análise.
“Com o passar do tempo a cidade dos epidâmnios tornou-se grande e populosa, mas dizem que sobrevieram lutas civis por muitos anos, e em conseqüência de uma guerra com os bárbaros vizinhos ela ficou arruinada e sem grande parte de suas forças.” (TUCIDIDES, I, 24).
Nesse trecho podemos observar que o Tucídides procura a explicação da origem da frota da cidade de Córcira.
“Esta fora a razão pela qual havia continuado a desenvolver ininterruptamente a sua frota, e era de fato poderosa, pois dispunha de cento e vinte tri remes quando a guerra começou.” (TUCIDIDES, I, 25).
No parágrafo 32 do livro I podemos observar o primeiro discurso contido na obra, quem discursa é um enviado da cidade de Córcira, com o objetivo formar uma aliança, embora o autor afirme que não lembra com exatidão os discursos inteiros, acredito que ele relatou o mais perto possível do verdadeiro.
No discurso seguinte dos Coríntios, podemos observar que o autor faz uma critica a irracionalidade dos homens em busca da vitória, onde não distinguem amigos de inimigos.
“E isso se passou numa dessas circunstâncias em que os homens, inteiramente absorvidos na perseguição de seus inimigos, esquecem tudo para pensar apenas na vitória; eles então olham como amigo quem quer que lhes preste serviços, ainda que antes fosse inimigo, e como adversário quem quer que os contrarie, mesmo que se trate de um amigo, pois sacrificam até seus interesses pessoais para satisfazerem a ânsia de vitória no momento”. (TUCIDIDES, I, 41)
Análise historiográfica.
Análise historiográfica.
Paragráfo 46 ao 79.
Tucidides em sua obra tem a preocupação com a verdade, ele utiliza números para parecer algo mais ciêntifico, como mostra adiante:
“Sendo dez da Eleátis, doze de Mégara, dez de Lêucade, vinte e sete da Ambrácia, uma de Anactórion e noventa de Corinto.”
(Tucídides,livro I, parágrafo 46).
Ainda no parágrafo 46, linha 13, podemos verificar sua abordagem geográfica usada por Tucidides para descrever o lugar,
“No espaço compreendido entre os dois rios se projeta o promontório Quimérion. Foi naquele ponto do continente que os coríntios desembarcaram e estabeleceram um acampamento.”
(Tucídides,livro I, parágrafo 46).
O conteúdo trágico da narrativa associa tucidides a uma forma caracteristica da epopéia. Ele não tem a preocupação de agradar quem esta lendo, descreve os fatos , e diz que foi a mais importante falando dos vencedores por exemplo. Temos essa idéia presente no no seguinte trecho:
“Iam matando indistintamente, atingindo até os próprios amigos; como as duas frotas eram numerosas e cobriam uma vasta extensão do mar, não era fácil, na confusão, distinguir os vencedores e os vencidos. Com efeito, pelo número de naus este foi o combate mais importante entre frotas helênicas.”
(Tucídides,livro I, parágrafo 50).
Tucidides mostra a presença da narrativa como garantia de veracidade “ alguns as viram e gritaram”
“Os corcireus, cuja posição não era boa para observá-las, ficaram atônitos diante daquele movimento de retirada; enfim alguns as viram e gritaram que havia naus aproximando-se”.
(Tucídides,livro I, parágrafo 51).
Além da verdade, Tucidides busca causa e acontecimento dos fatos, e preocupado com a verdade mostra tambem o lado trágico, porém sempre destacando a gruerra como a maior e a mais violenta, O texto mostra o sofrimento da época na guerra , violência e muitas mortes. Vemos isso presente no parágrafo 51, linha 9.
“chegaram pouco depois de haver sido vistas abrindo caminho em meio aos cadáveres e destroços. Como já era noite fechada, os corcireus tiveram medo que fosse o inimigo, mas em seguida as reconheceram e elas ancoraram”.
(Tucídides,livro I, parágrafo 51).
Tucidides da grande importancia a escrita, porem, não caindo em anacronismos, olhando a história com olhar daquela época, daquele periodo em que ele estava vivendo, verificamos sua tentativa de provar a verdade, inclusive tentando datar fatos, quando ele fala por exemplo: duas gerações antes de alguem ou alguem filho daquele, vemos ocorrer isso no trecho seguinte:
“Comandava-os Aristeu filho de Adímantos”.
(Tucídides,livro I, parágrafo 60).
Tucídides sempre com o comprometimento com a verdade, ele faz uma seleção de fatos significativos, no podemos perceber isso , quando ele conta o plano de Aristeu, neste trecho da obra ele tambem mostra a estratégia usada por Aristeu.
“O plano de Aristeu era o seguinte: manteria suas próprias tropas no istmo e vigiaria a aproximação dos atenienses, enquanto os calcídios e os outros aliados de fora do istmo" e os duzentos cavalerianos de Perdicas permaneceriam em Olintos; quando os atenienses se movimentassem contra as forças de Aristeu, estas tropas apareceriam e os atacariam pela retaguarda, pondo o inimigo, desta forma, entre suas duas divisões” .
(Tucídides,livro I, parágrafo 62).
A guerra na antiguidade representava o estado normal na relação entre as cidades, e Tucídides sempre com a intenção de conduzir uma história completa, inteligível e coerente, tenta representar com clareza o que se passou, vemos isso bem presente em sua obra (no parágrafo 63, linha 14) quando identificamos a grandiosidade dos atenienses e o número de soldados mortos.
“Após a batalha os atenienses ergueram um troféu e, mediante trégua, entregaram aos potideus os cadáveres de seus soldados. Morreram, da parte dos potideus e seus aliados, pouco menos de trezentos soldados, e só dos atenienses cerca de cento e cinqüenta, inclusive Calias, seu comandante”.
Dificilmente encontramos fontes no texto de Tucídides, ele dificilmente usa termos como: Se viu ou ouvi. Sua produção de saber era de interpretação dos sinais impíricos onde requer presença para saber a verdade, desconfiando da memória dos outros ou do “ouvi dizer”, porém na útima linha do parágrafo 67 identificamos uma de suas fontes “assim falaram”. Logo depois começa um dos discursos de sua obra.
“Finalmente os coríntios, depois de deixar os demais exasperarem os Lacedernónios, assim falaram”:
(Tucídides,livro I, parágrafo 67).
O autor buscava transmitir as próprias palavras dos oradores porém se torna difícil um discurso fiel de tudo o que foi dito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário